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Por Ti Q

by Sara Marques dos Santos

A ACEITAÇÃO

23.10.2017

 

 

Escrevi este texto no blog antigo, em Dezembro de 2015. Já vai fazer 2 anos, tinha o Quico 7 anos.

Na altura foi muito comentado nas redes sociais e surge em muitas conversas com outras mães de crianças com paralisia cerebral. Porque é preciso passar por lá para saber do que estamos a falar...

 

Fez-me sentido passá-lo para para aqui a propósito de mais uma conversa com uma grande amiga, mãe de um grande Francisco, que vive angustiada com o tempo a passar e não estar a fazer tudo o que é suposto fazer.

Querida amiga, como te disse, nós fazemos o que devemos fazer em cada momento e de acordo com o que o nosso coração manda. A paralisia cerebral leva tempo, infelizmente não tem cura, não te martirizes. És uma mãe fantástica. E como alguém te disse: ao termos estes filhos, a vida encarrega-se de nos obrigar a fazer muito mais que qualquer mãe sem filhos destes (que já fazem muito pela sua natureza de mãe). És super, és top, querida A.

 

PS: reli e não acrescentei nada a este texto! Sinto-o exactamente como o senti há 2 anos quando o escrevi. É dedicado a todas as mães e pais que de alguma forma têm o coração inquieto.

 

TEXTO:

<<Nos primeiros anos, procurei e pesquisei muita coisa.

Li blogues do mundo inteiro, "conheci" muitas mães e o que davam a conhecer dos seus filhos através dos blogues e nas redes sociais.

 

Corri mundo em busca de tratamento, trouxe para Portugal terapeutas estrangeiros, novas terapias, montei com muito carinho uma clínica de reabilitação com o intuito de proporcionar às outras crianças o mesmo que podia proporcionar ao meu filho.

Candidatei-me à direcção da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, escrevi num blog internacional, fui confidente de muitas mães, tirei dúvidas a muitos terapeutas.

Diria até que ensinei a muitos terapeutas o que é viver com um filho com uma deficiência.

 

Vivi por completo no mundo da deficiência.

 

Comecei por acreditar no engano dos médicos, depois no milagre, e até que aceitei. E é sobre o momento da aceitação que falo agora. Aceitar que nada mais podemos fazer pelos nossos filhos, seres indefesos que gerámos dentro de nós, é... (neste momento não encontro palavras para descrever).

Mas se até esse momento eu vivia inquieta, infeliz e miserável, a partir do momento que aceitei que nada do que eu pudesse fazer iria mudar o rumo da vida e a condição do meu filho, renasci.

Parece um cliché mas a realidade é que sinto que houve um tsunami no dia em que o Quico nasceu, destruiu tudo à volta (relações, amizades, o meu coração) e eu andei desenfreada a tentar reconstruir tudo o que foi destruído.

A certa altura percebi que não dava, eu não tinha mais material para reconstruir e abri o meu coração e aceitei que o meu filho tem uma deficiência grave, vai depender toda a vida de todos, não vai falar e nem andar.

 

Mas vivo mais feliz, deixei de viver só da deficiência, libertei um peso que carregava nas minhas costas como se a responsabilidade e a possibilidade de ele melhorar ou ficar bom dependesse de mim. Não depende de mim nem de ninguém.

 

E tive que fazer todo aquele caminho e viver exclusivamente da deficiência, para hoje poder aceitar desta forma e de consciência tranquila.

 

Tenho um filho hoje menos tenso, mais feliz e sinto que ele sabe que não tem mais o peso de tentar fazer coisas que não consegue. Tenho a certeza que a vida dele é agora muito melhor do que foi nos primeiros 6 anos. E é isso que eu quero!

Não quer isto dizer que não faça terapias ou não faça tudo por ele. Se houvesse tratamento no fim do mundo, amanhã eu estava lá.

Mas deixei de esperar com ansiedade por esse momento. Esse momento vai aparecer se aparecer.>>

 

Se tem uma história partilhe-a connosco!

 

Partilhe este texto para que possamos fazer a diferença na sociedade.

 

Sara *

 

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SOBRE MIM

Sou a Sara, mãe do Quico, um miúdo lindo, com paralisia cerebral grave, uma ESTRELINHA na vida de quem o conhece. Mãe de mais dois filhos, também lindos, e dona de uma família linda.

Este é um blogue que se destina a mostrar a realidade duma família que vive de mãos dadas com a paralisia cerebral e que quer tornar o mundo um lugar melhor para quem vive a nossa realidade.

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